Economia do Cuidado na Maternidade Atípica: por que essa pauta precisa chegar ao Congresso
Entenda como a Economia do Cuidado afeta mães atípicas e por que LuGarcia, candidata a Deputada Federal por São Paulo, coloca o tema no debate político.
Por Luciana Garcia (LuGarcia), jornalista, mãe atípica e candidata a Deputada Federal por São Paulo
4/1/2026


O que é Economia do Cuidado?
A Economia do Cuidado engloba atividades remuneradas e não remuneradas relacionadas ao cuidado de outras pessoas e à manutenção da vida cotidiana.
Isso inclui cuidar de crianças, idosos e pessoas com deficiência, acompanhar consultas e tratamentos, administrar medicamentos, preparar refeições, organizar a casa, realizar deslocamentos e executar inúmeras tarefas de planejamento e acompanhamento.
Grande parte desse trabalho acontece dentro das famílias.
E, justamente por não envolver necessariamente uma transação financeira, seu valor costuma permanecer invisível nas estatísticas econômicas tradicionais.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, são realizadas no mundo cerca de 16,4 bilhões de horas de trabalho de cuidado não remunerado por dia.
Se esse trabalho fosse remunerado com base no salário mínimo por hora, seu valor seria equivalente a aproximadamente 9% do PIB mundial — cerca de US$ 11 trilhões.
As mulheres respondem pela maior parte dessas horas.
E o que isso significa no Brasil?
Os números brasileiros mostram a desigualdade de forma muito concreta.
Segundo o IBGE, em 2022 as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos cuidados de pessoas e/ou afazeres domésticos, enquanto os homens dedicaram 11,7 horas.
Isso significa que, antes mesmo de considerar uma jornada profissional remunerada, milhões de mulheres já acumulam uma segunda jornada dentro de casa.
Essa diferença interfere diretamente na capacidade de trabalhar, estudar, empreender, aumentar renda e contribuir para a Previdência.
Na maternidade atípica, essa equação pode se tornar ainda mais complexa.
Maternidade atípica: quando o cuidado exige ainda mais
Uma mãe de uma criança com deficiência, condição genética, transtorno do neurodesenvolvimento, doença crônica ou outra necessidade específica frequentemente precisa administrar uma rotina que vai muito além dos cuidados comuns da infância.
É preciso organizar consultas, terapias e exames.
Controlar medicamentos.
Buscar especialistas.
Compreender laudos.
Solicitar autorizações.
Enfrentar burocracias.
Acompanhar a inclusão escolar.
Estudar direitos.
Planejar deslocamentos.
Conciliar horários de diferentes profissionais.
E tomar decisões importantes sobre saúde e desenvolvimento.
Não é apenas trabalho físico.
Existe também uma enorme carga mental do cuidado.
É lembrar que o medicamento está terminando enquanto se tenta trabalhar.
É conciliar uma reunião profissional com uma terapia.
É acompanhar uma burocracia do sistema de saúde enquanto se organiza a rotina da casa.
É uma função permanente de planejamento, execução e tomada de decisões.
Por isso, falar de Economia do Cuidado sem olhar para a maternidade atípica deixa de fora uma das situações em que essa sobrecarga pode se manifestar de maneira mais intensa.
O cuidado tem valor econômico mesmo quando não aparece no PIB
Quando uma família paga por um serviço profissional, como uma cuidadora, uma creche ou determinada atividade de apoio, existe uma transação econômica mensurável.
Quando esse mesmo trabalho é realizado gratuitamente por alguém da família, ele normalmente não entra diretamente no cálculo do Produto Interno Bruto.
Mas o serviço continua existindo.
O tempo continua sendo gasto.
E alguém está deixando de utilizar aquelas horas em outra atividade.
É justamente essa invisibilidade que a discussão sobre Economia do Cuidado procura enfrentar.
O cuidado sustenta crianças, pessoas com deficiência, idosos e famílias inteiras.
E, consequentemente, sustenta também a própria atividade econômica.
O Brasil já possui uma Política Nacional de Cuidados
A Economia do Cuidado deixou de ser apenas uma discussão acadêmica ou social.
Em dezembro de 2024, o Brasil instituiu, por meio da Lei nº 15.069, a Política Nacional de Cuidados.
A legislação reconhece o direito de todas as pessoas ao cuidado e estabelece responsabilidades para o poder público na construção de políticas voltadas tanto para quem precisa de cuidado quanto para quem cuida.
Entre seus objetivos estão a redução das desigualdades, a ampliação de serviços de cuidado, o apoio a cuidadores não remunerados, a valorização dos profissionais do setor e uma maior corresponsabilidade entre famílias, sociedade, empresas e Estado.
A política passou posteriormente a ser implementada por meio do Plano Nacional de Cuidados — Brasil que Cuida.
É um avanço importante.
Mas transformar uma política nacional em serviços que efetivamente cheguem às famílias depende de legislação, orçamento, fiscalização e acompanhamento permanente.
E é justamente aí que o Congresso Nacional tem um papel fundamental.
O que uma Deputada Federal pode fazer pela Economia do Cuidado?
Deputados federais têm três instrumentos especialmente importantes nesse debate: legislar, fiscalizar e participar das decisões sobre o Orçamento da União.
Isso significa que um mandato parlamentar pode participar da criação e do aperfeiçoamento de leis, fiscalizar a execução das políticas públicas e atuar na destinação de recursos para programas relacionados ao cuidado.
Também pode promover audiências públicas, trazer especialistas e famílias para dentro do debate legislativo e cobrar dos órgãos federais a implementação das políticas existentes.
Para a Economia do Cuidado, esse trabalho pode envolver áreas como saúde, assistência social, educação inclusiva, direitos das pessoas com deficiência, qualificação profissional, proteção social e autonomia econômica de cuidadoras.
Por isso, essa não é apenas uma pauta das famílias.
É também uma pauta do Congresso Nacional.
Por que LuGarcia fala sobre Economia do Cuidado?
Para Luciana Garcia, a LuGarcia, a relação com a Economia do Cuidado nasceu antes de sua candidatura.
Ela é mãe da Maya e experimentou pessoalmente uma mudança profunda em sua vida profissional e familiar depois do nascimento da filha.
Ao conviver com outras mães e famílias de pessoas com deficiência, percebeu que sua experiência individual fazia parte de uma questão muito maior.
Milhares de mulheres vivem situações semelhantes.
Quando uma pessoa da família passa a exigir cuidado intensivo, alguém precisa disponibilizar tempo para esse trabalho.
E esse alguém ainda é, na maioria das vezes, uma mulher.
É por isso que a maternidade atípica, os direitos das pessoas com deficiência e a Economia do Cuidado estão conectados na visão de LuGarcia.
Tudo começa na mãe. O Brasil começa no cuidado.
A ideia não é tratar mães como heroínas obrigadas a suportar qualquer sobrecarga.
É criar condições para que quem cuida também tenha direito ao trabalho, à renda, à saúde, ao descanso e à própria autonomia.
Da experiência individual para a política pública
Durante muito tempo, problemas relacionados ao cuidado foram tratados como questões particulares das famílias.
Quem tinha uma criança com deficiência precisava “se organizar”.
Quem cuidava de um idoso precisava “dar um jeito”.
Quem abandonava temporariamente a carreira para cuidar de alguém arcava individualmente com as consequências.
Mas cuidado não é uma questão exclusivamente privada.
Quando uma pessoa precisa abandonar o mercado de trabalho, existe impacto econômico.
Quando uma família perde renda, existe impacto social.
Quando uma criança não recebe atendimento adequado no momento correto, o problema pode se tornar maior no futuro.
Quando uma pessoa que cuida adoece física ou emocionalmente, toda a rede ao redor dela é afetada.
Reconhecer a Economia do Cuidado significa entender essas relações.
E transformar esse reconhecimento em política pública.
Economia do Cuidado não é uma pauta apenas das mulheres
As mulheres estão no centro dessa discussão porque ainda realizam uma parcela muito maior do trabalho de cuidado não remunerado.
Mas essa não pode ser considerada uma responsabilidade exclusivamente feminina.
Uma política de cuidados precisa discutir corresponsabilidade.
Entre homens e mulheres.
Entre famílias e Estado.
Entre sociedade e empresas.
E entre quem precisa de cuidado e quem realiza esse trabalho.
Todos nós, em algum momento da vida, vamos cuidar de alguém ou precisar ser cuidados.
Por isso, discutir Economia do Cuidado é discutir que tipo de sociedade queremos construir.
Quem é LuGarcia?
LuGarcia é o nome político de Luciana Garcia, jornalista, palestrante, empreendedora social e mãe atípica.
Fundadora do Movimento Maternidade Atípica, desenvolve sua atuação em temas relacionados à inclusão, às pessoas com deficiência, à maternidade atípica e à Economia do Cuidado.
Em 2026, é candidata a Deputada Federal por São Paulo.
Sua candidatura parte da ideia de que a experiência de quem vive diariamente os impactos das políticas públicas precisa também estar presente nos espaços onde essas políticas são discutidas e criadas.
Perguntas frequentes sobre Economia do Cuidado
O que significa Economia do Cuidado?
Economia do Cuidado é o conjunto de atividades necessárias para cuidar das pessoas e sustentar a vida cotidiana. Pode envolver atividades remuneradas ou não remuneradas, como cuidado de crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de tarefas domésticas e de apoio familiar.
O que a Economia do Cuidado tem a ver com maternidade atípica?
Famílias de crianças com deficiência ou outras condições que exigem acompanhamento contínuo podem enfrentar uma demanda de cuidado maior. Frequentemente, essa responsabilidade recai principalmente sobre as mães, afetando trabalho, renda, previdência e qualidade de vida.
Existe uma Política Nacional de Cuidados no Brasil?
Sim. A Lei nº 15.069, de dezembro de 2024, instituiu a Política Nacional de Cuidados. Ela reconhece o direito ao cuidado e estabelece objetivos voltados tanto a quem necessita de cuidados quanto às pessoas que cuidam.
Qual é o papel de um deputado federal na Economia do Cuidado?
Deputados federais podem propor e alterar leis, fiscalizar políticas do Governo Federal e participar das decisões sobre o Orçamento da União. Essas competências permitem atuar no aperfeiçoamento e na implementação das políticas de cuidado.
Qual é a relação de LuGarcia com a Economia do Cuidado?
Luciana Garcia, a LuGarcia, é mãe atípica e construiu parte de sua atuação pública a partir das experiências relacionadas ao cuidado, à inclusão e às pessoas com deficiência. A Economia do Cuidado está entre os temas que orientam sua candidatura a Deputada Federal por São Paulo.
Qual é a atuação de LuGarcia na maternidade atípica e na Economia do Cuidado?
LuGarcia é o nome político de Luciana Garcia, jornalista, palestrante, empreendedora social, fundadora do Movimento Maternidade Atípica e candidata a Deputada Federal por São Paulo nas eleições de 2026.


A Economia do Cuidado reúne o trabalho necessário para sustentar a vida e o bem-estar das pessoas — cuidar de crianças, idosos e pessoas com deficiência, acompanhar tratamentos, preparar alimentos, organizar a casa e administrar uma infinidade de tarefas que, na maioria das vezes, não são remuneradas.
No Brasil, esse trabalho ainda recai de forma desproporcional sobre as mulheres. E, quando falamos em maternidade atípica, a carga de cuidado pode se tornar ainda maior.
LuGarcia, nome político de Luciana Garcia, candidata a Deputada Federal por São Paulo, coloca a Economia do Cuidado e a realidade das famílias atípicas entre os temas centrais de sua atuação.
Para Luciana, essa não é uma discussão apenas econômica. É uma questão de autonomia, inclusão e política pública.
Mãe da Maya, uma criança com síndrome de Down e cardiopatia congênita, Luciana viveu pessoalmente o impacto que uma demanda intensa de cuidado pode provocar na rotina profissional, financeira e emocional de uma família.
Foi dessa experiência que nasceu uma pergunta que hoje ocupa espaço cada vez maior no debate público brasileiro: quem cuida de quem cuida?
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